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terça-feira, 15 de março de 2016

Tietê – Sentimentos de rio, cidade e gente

“Senhor doutor das águas e da energia,
eu sei que tem os córregos do Lapenna, 
do Cruzeiro e do Jacuí e um outro que todo mundo conhece, 
 o rio Tietê,  parece com o senhor pois ele nunca, nunca conversa,
mas ele é diferente, ele tem mais sentimentos que o senhor,
ele não se esconde, tem até mais respeito que o senhor,
ele é um rio e o senhor é um ser humano,
a sua vistoria precisa dos meus olhos
e dos olhos, da história do rio,
vê se o senhor percebe e respeita"
(morador da Várzea do Tietê
Decepcionado com o Poder Público)

Tietê, meu rio, segue um pedido, feito corredeira, para levar essa tristeza dos últimos dias em que as nuvens de lá e acolá trouxeram da nascente até as terras de Ururaí – São Miguel, toda essa água que se somou as águas dos nossos olhos. E assim as águas trouxeram dejetos, cacarecos, trecos, madeiras que um menino até poderia transformar num violão, quiçá para tocar um lamento, enquanto a criança fotografa com a menina dos olhos todo esse pranto – desabafo - rio, misturado com nossa incoerência.
Sim, Tietê, meu rio, dizemos que sabemos pouco sobre sua relação com a cidade, mas a verdade é que não sabemos nada. Por isso, também na insistente poética do espaço, estamos à procura dos ativos tesouros do conhecimento sobre ti e sobre todo um pensamento ecossistêmico para que essa várzea urbana tenha vida. E a  nossa lida tem inúmeros desafios quando olhamos para ti e percebemos que precisamos seguir um caminho composto de sentimentos, numa constante escuta a tatear um aprendizado com quem até de ti já se esqueceu, ou simplesmente nem quer saber de tua existência, seres tão distantes e ao mesmo tempo tão dentro de seus braços, de seus domínios, que como um rio de planície, essa gente, parece se arrastar lentamente nessa cidade tão desigual.
Sei para onde me levas, pois nasci nas tuas margens e sei do desembocar das águas do Tamanduateí em teu leito. Sei também, Tietê, que como um rio de planície segue assim até Pirapora, percorre e salta pedras de Itú até, bem mais além, alcançar Barra Bonita desaguando no Paraná, e lhe peço que com sua energia acumulada das almas dos índios, visões estupefatas de outros tempos dos povos ibéricos, com todo o suor e sofrimento de nossa África aqui pulsante, e de tantos imigrantes do velho mundo, que nos ajude a desconstruir o estigma dos que contigo coabitam o espaço onde o tempo e todas as águas nos lembram sempre que essas terras são muito mais tuas do que nossas.  
       Faz Tietê, meu rio, que algum sobrevivente dos pássaros que partiram, garças que padeceram, gaviões brancos e também outras tantas aves como cambacicas, pitiguaris, sabiás, tiês, mais os teus afluentes, fluentes córregos hoje impedidos de fluir possam simbolizar, numa geografia pública e sensível, um recado para que as nossas análises sobre as realidades ambiental e social evidenciadas em tuas margens considerem, pressupostamente, que os sintomas desse desatino é consequência da segregação dessa metrópole, das culturas de governar e legislar sedimentadas na errônea compreensão que temos sobre os significados de rios e cidade.    
     Percebi nas idas e vindas do teu trajeto que a nossa racionalidade e contendas meritocráticas, revelam no fundo, quando tiramos a máscara, que somos artistas desprovidos de arte, desgastados no teatro da vida da metrópole, inibimos nossa capacidade de representar. Mantemos sentimentos ofensivos, repressivos e autorepressivos em nome da égide da autenticidade perdida no ensimesmamento de um domínio público vazio e na confusão com o domínio íntimo. Na pretensão de mudar o mundo, vivemos sobrecarregados de tarefas que não podemos realizar e postergamos o que descobrimos como essencial fazer agora.            
Nesse momento que meus olhos acompanham, em meio ao deslocamento do trem, a primavera a acenar e, na janela, sexagenário, sinto– me um menino a tentar espantar a tristeza desses tempos e por um momento me encanto com as flores da primavera em pleno verão da quaresmeira. Daí, numa tentativa frustrada, desejo conversar com os hibiscos que margeiam a linha da vida, do trem, tudo tão próximo ao rio no qual meus antepassados viveram a ludicidade e a sobrevivência em um Bom Retiro.
Hoje me percebo como uma espécie de homem sem conteúdo, um homem que feriu seu rio, porém inserido numa narrativa citadina a considerar os hibiscos, as primaveras dessa Várzea de sonhos e desventuras como cúmplices dessa longa e breve jornada.
Por um instante sou levado a me conectar ao século XVI, ao mesmo tempo com o real e presente cenário urbano da segregação desses tempos vividos agora, a focalizar num movimento concreto dos olhos, como uma câmera, uma coisa sentimentalizada por minha tristeza, o leito de teus córregos, em que seres humanos mastigam migalhas salgadas da sobra do capital, com alimentos artificializados em embalagens produzidas pelo óleo, petróleo... Na aurora de uma cidade feia, percebo crianças a correr e subir nas árvores que ainda restam nesses redutos em que tão pouco há para ser dividido com muitos.
Tietê, meu rio, foram nossas tantas iniciativas, nesses tempos vividos para compensar o desalento que se esvaíram no leito de nossos equívocos. Tantos jovens que se dedicaram a deixar um legado nesse pedaço da polis. Mas, tanto as ideias como a concretização de atitudes que poderiam transformar tantas histórias, foram levados pela chuva de nossa desconsideração em relação à sua importância, na triste constatação que a sociedade se amplia, mas suas exemplaridades são descartadas por aqueles que a comandam.
Como suscitar crença na aparência das ações que revolucionam em um meio de estranhos? Como criar continuidade de conteúdo em relação às regras, às leis, se somos vistos, aqui nas suas margens e dentro de ti como seres sem conteúdos, inseridos numa geografia pública a reconhecer somente o que tem lastro e o que reflete moeda e mercadoria?  
Tietê, meu rio, somos cobrados para criar e aprender a ligar códigos, o que para seres vistos como “sem conteúdo” é altamente complexo, não somente por falta de conhecimento, mas pela simples razão de que a expressão social advinda da apresentação e da representação não reverbera, como esse texto, os sentimentos reais da cidade para cada um dos seus inúmeros “eus”. 
Diretamente desse assentamento humano, um verdadeiro “palco” preenchido também pela luz dos dias, sombras, seres e tuas águas, Tietê, nesse canto do mundo com  penas capitais, a platéia assiste imagens aéreas e terrestres espetaculares, a partir de sensações de estar a visualizar e absorver, semioticamente, uma ficção sem precedentes, apesar de produzidas concretamente pela inequidade, como um filme de ação, no qual um rio é um vilão junto com essa gente transformada em gente - anfíbia.
Os expectadores, longe de tuas margens, são cocriadores e co - produtores de um película a ferir nosso cristalino a provocar cataratas a cântaros em nosso olhos, nossos corpos também demonstram a culpa pela tua enfermidade e pela doença civilizatória dessa e de outras cidades.
Tietê, como diria o poeta “que contradizes o curso das águas e te adentras na terra dos homens” leva essa tristeza para longe, nós, aqui na tua várzea, precisamos aprender a aprender o que a vida está a nos mostrar: a ter antes de tudo um sentimento de cidade para fazer a cidade saber de ti e dessa gente a viver à margem nas suas margens.

quarta-feira, 2 de março de 2016



Uma nova tavoleta para uma nova perspectiva de cidade. 
ENQUANTO ISSO NA VÁRZEA DO TIETÊ...
“Aqui, hoje, com tanta gente dentro da água,
  e quase todo mundo, inclusive  os que vem ajudar,
aos poucos passam a pensar, acho que o senhor também,
bem lá no fundo,  o senhor pensa assim,
que tem que ser assim mesmo,
mas no fundo os motivos dos problemas que leva
a esse “assim mesmo”, esse conformar, nós sabemos,
não com aquele palavrório dos estudados,
mas a gente sabe que tem partes da cidade
que são ricas e melhoram porque  são  ricas,
e partes que são pobres, que pioram pois são pobres”
Severino Silva (cochichando após uma reunião
do Fórum dos Moradores
do Lapenna)


Em busca de uma tavoleta na Várzea do Tietê
No Quattroccento quando Bruneleschi inventa a Tavoleta para demonstrar a visão especular da perspectiva, coincidindo o ponto de vista e o ponto de fuga, a cidade passa a ser vista e representada de outra forma, assim novas possibilidades multidimensionais são aventadas. Isso se refletirá nas suas inter - relações simbólicas, no preenchimento dos espaços vazios com luz e pessoas e na interação com a natureza, na qual arquitetônica e interativamente a cidade sempre precisa dialogar.
Na várzea do Tietê estamos, hoje, diante da necessidade de multiperspectivar a nossa visão, o que demanda uma nova Tavoleta que nos propicie uma visão socioterritorial em que o urbano, o meio ambiente, a saúde, a educação, a política, nos seus aspectos identificados com o habitar, estejam correlacionados num agenciamento entre formuladores e gestores de políticas urbanas, cientistas, educadores, sociedade civil e financiadores que se proponham a interromper uma dinâmica perversa, a qual fez com que a urbanização brasileira, em São Paulo não foi diferente, se tornasse a expressão territorial da desigualdade.
Aqui no Jd Lapenna, São Miguel, na cidade de São Paulo, o reflexo, a consequência da separação progressiva entre as partes ricas e pobres da cidade. Gradativamente a cidade vive essa dinâmica par e passo, essa interface social sendo mediada e cerceada, o que passa a ser um dos fatores para que a cidade se estenda, não crescendo para dentro. E a população de baixa renda só tem possibilidade de ocupar terras periféricas, mais baratas sem infraestrutura. Um verdadeiro urbanismo de risco.
A concentração de oportunidades de emprego em um pedaço da cidade, o que tem infraestrutura, provoca uma dinâmica de ocupação de áreas frágeis, sendo que essa população sofre os efeitos das enchentes, os mananciais contaminados, além da erosão e isso atinge a cidade inteira.
Assim, vivemos também uma espécie de apartheid ambiental, as terras ocupadas pelos pobres são aquelas que não despertam o interesse do mercado imobiliário, sendo que a maior parte da produção habitacional compensatória se faz a margem da lei. Mesmo com todos os instrumentos, o Estatuto da Cidade, os programas e as políticas públicas para minimizar a exclusão habitacional, a cidade não dá conta e a lei passa a ser aplicada de forma arbitraria, priorizando a lucratividade da especulação imobiliária., em detrimento dos programas habitacionais populares.

Cochichando no Mutirão com Sr. Antonio
Numa conversa com alguns moradores, daqui do Mutirão do Jd Lapenna, participantes de uma ação de mobilização coletiva para construção de casas no início da década 90 com o apoio do governo municipal da época,  fica evidente que, atualmente, se segue uma lógica de construção e utilização de tipos materiais, que faz da produção habitacional popular um grande negócio, com uma ideia preponderante de lucro, o que já ocorrera também antes da década de 90.
Um morador antigo do bairro afirma que as habitações populares construídas atualmente e disponibilizadas para a população pobre da cidade, seguem, até mesmo “um modo de construção de custo altíssimo o que beneficia os interesses dos grupos que ganham as licitações para as empreitadas dos programas habitacionais”. Segundo esse morador essa lógica existiu antes do Mutirão, e do ano 2000 para cá foi re-institucionalizada e aceita pela cidade: “é como um remédio que mesmo com efeitos colaterais, é visto como um remédio, ameniza a dor, mas não cura a doença, os grupos que constroem poderiam até utilizar outros materiais mais baratos e melhores, mas isso não dá lucro”.

Entender um pouco tudo isso, é preciso.
Aprendendo com pessoas que detém um ativo de conhecimento urbanístico, estudando um pouco os processos de pensar a cidade e a própria legislação urbana, esta última nascida para atender os interesses da corte capitalista e, mesmo com os avanços que tivemos na constituição de 1988 e com a criação do Estatuto da Cidade em 2001, os instrumentos e uma legislação voltada a corrigir o descompasso da desigualdade, ainda temos um déficit habitacional alarmante, sendo que os instrumentos para essa correção que demonstram ser eficientes, não comprovam sua eficácia, em função também da dificuldade de fazer valer a aplicação desses instrumentos, pois quem dita as regras da ocupação do solo ainda é o interesse privado, prova disso é a rapidez da viabilização da autorização para construção de grandes empreendimentos e a demora para viabilizar espaços urbanos para a habitação popular, claro, considerando também a necessidade de respeitar toda a legislação de proteção ambiental, que deve valer para todos, além da complexidade de áreas híbridas compostas de ZEIS e APA, como essa onde estamos situados, São Miguel – Jd Lapenna.

Movimentos para interação e enfrentamento do problema
Pululam na Zona Leste movimentos para mobilização e provocação de interações entre as comunidades que vivem problemas similares na Várzea do Tietê, como o caso do Jd Lapenna, Jd Romano, Jd Helena, por exemplo. Movimentos que além de uma atitude política também desejam e trabalham para atrair os detentores de um ativo do conhecimento que perpassa também o desenvolvimento de tecnologias e metodologias para, pelo menos reduzir a anomalia habitacional, com a consequente necessidade de inovação tecnológica – social para provocar impacto no território a refletir no pensamento dos poderes constituídos sobre a cidade.
Claro, que nos tempos de hoje, uma das formas de provocar o olhar para as localidades que aos poucos se tornaram invisíveis na organicidade da cidade, é provocar uma certa descontinuidade simbólica, estratégia adotada pelos movimentos culturais juvenis, uma espécie de utopia iconoclasta, como também os movimentos sociais tradicionais que imprimem uma dinâmica de pressionar o legislativo e o executivo para olharem as demandas do território, atende-las e pensarem com as comunidades formas de superar as desigualdades.
Mas não esqueçamos da necessidade de articulação com os atores que estudam a cidade, ai estão as Universidades, as ONGs e setores do Poder Público, numa conexão científica - educadora, na construção de territórios educadores, compostos de pessoas (crianças, jovens e adultos) que passem a  compreender inclusive as causas de sua presença nesse ou naquele habitar, e desenvolver estratégias para que as comunidades das áreas mais frágeis da cidade tornem-se vetores sociais para a transformação desses territórios vulneráveis. 

Diante das águas a invadir nossas vidas pensar multidimensionalmente
a educação como prática efetivamente cultural e política
 Assim, atuando numa área crítica da cidade, pensar e construir junto com quem vive e convive com a escassez, submersos no transbordamento da cidade, uma contribuição: um processo, um caminho político – pedagógico para a realização de um território educador. Considerando como elementos substanciais inerentes às ações coletivas voltadas ao desenvolvimento da localidade, a geografia, a história, o letramento político, a identificação e difusão das culturalidades, além da necessidade de transpor os conhecimentos produzidos pelos urbanistas e demais cientistas para uma linguagem que perpasse e seja sentido e incorporado a comunidade a comunidade, por exemplo, nas atividades também compreendidas no CCA local, nas Creches, na Escola, na UBS, nas ONGs locais, no espaço público, no Fórum dos Moradores.
As pessoas da comunidade precisam ter consciência do poder que tem em cada lugar desse território. Isso advém de um exercício, considerando como pressuposto a alteridade, um olhar sistêmico para o todo, olhar para o espaço público e obrigar o poder público a representar de fato os setores e as aspirações sociais – coletivas,  o que requer participação e entendimento das questões vividas pelas comunidades das bordas da cidade e como o poder público lida com elas,  construindo uma sabedoria para fazer valer suas ideias para influenciar nas decisões da cidade voltadas à localidade e claro num horizonte de novas centralidades periféricas, num processo de produção de conhecimento que influencie a cidade como num todo.
Um ideal coletivo semântico de Centralidade Periférica e que se torne possível. Nessas áreas, como o Jd Lapenna, embora localizadas nos limites da cidade, sejam especialmente dotadas de condições próprias de urbanidade. Possuidoras de boas acessibilidades, a revelar com suas marcas identitárias, fatos que, pela sua conjugação, as transformam em polos para uma vida urbana digna.

Espaço poético. Antes da chuva o pensamento a caminho da Várzea do Tietê
Na multidimensão da poética do espaço
Fios de um tecido urbano,
Entre os reflexos de tantos espectros,
Technés do pós humano.

Visões, interações
Eu sinto uma aflição
Perverso capital a produzir
Subjetividades, enunciados,

Maquímica sujeição
Transformam a cidade numa mercadoria
E periferia a produzir
Resistência diante da desigualdade. 

Cronotópica urbana dor – realidade,
Território – dualidade,
Rico, pobre, tão desigual.

Na alma da Cidade coexiste uma autoria
Que em muito deve ultrapassar
a nossa covardia: vocação solidária.

Referências
. Raquel Rolnik – Regulação Urbanística
. Erminia Maricato: Metròpole, Legislação, Desigualdade
. Ana Maria Passos Coelho Tavares: Centralidades Periféricas (Universidade de Coimbra)
. Severino Silva – Morador Jd Lapenna
. Sr. Antonio – Morador Jd Lapenna
. Sirlene – Moradora Jd Lapenna
. Deisy Fernada Feitosa – Comunicação nas bordas da cidade
. Andrelissa Teressa Ruiz – Monografia “No meio do caminho havia um rio...A filosofia do rio Tietê sob a perspectiva sujeito-objeto no espaço urbano

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016


A Caminho de um Território Educador
Parte 2: A dimensão orgânica - considerar a educação configurada
como prática  efetivamente cultural e política

Quando na perspectiva de um território educador
surge a necessidade de que conhecimentos específicos
e complexos sejam compartilhados  com os habitantes
de um território, é necessário um trabalho político pedagógico
a envolver crianças, jovens e adultos e no nosso caso
a partir de um Galpão de Cultura e Cidadania

                        A várzea do Tietê tem sido objeto de estudos dos últimos quase 20 anos, desde, inclusive com mais dinâmica e profundidade praticamente desde a criação da APA do Tietê em 1997, de Universidades, Institutos e Órgãos da Gestão Pública. Mas aqui, nesse lugar onde vivemos a nos dedicar a projetos e ações voltadas ao desenvolvimento, nessa desmesurada dessa área ocupada, habitada, composta de frações de zona de interesse social e de Proteção Ambiental que abrange São Miguel Paulista, revela organicamente toda uma trajetória de políticas urbanas ineficazes. 
Atuamos nesse território, num ponto dessa área, propriamente no Jd Lapenna, como educadores e arregimentadores de atores para uma articulação entre instâncias do poder público, universidade e comunidade, nesse bairro que mais recentemente recebeu mais paulistanos expulsos, por uma lógica perversa do capital, dos lugares onde antes viviam e, agora, utilizam os pedaços dos espaços públicos que sobram ou se apropriam dos espaços nunca antes foram pensados como público.
A comunidade do território do Jardim Lapenna fragmentado em quatro geografias o Alto Lapenna, o Médio Lapenna, o Baixo Lapenna e, mais recentemente o “Lapenna Invisível” necessita, para poder dialogar entre si e com o Poder Público, sociedade civil e a cidade, compreender como funciona a cidade, o que exige um trabalho educativo, considerando a “educação configurada como prática efetivamente cultural”, além do resgate de sua vocação solidária, valorizar a sua história e a conexão com a história da cidade, até mesmo diante da cruel hierarquia valorativa da própria cidade. “Essa gente precisa saber sobre a legislação, os poderes constituídos e como operam, mais os instrumentos que a cidade possui para lidar e intervir em  áreas críticas como essas” (Ranulpho Rocha – Professor da Rede Pública Municipal) .
Assim, na elaboração de um caminho político – pedagógico para a realização de um território educador, considerar como elementos substanciais inerentes às ações coletivas voltadas ao desenvolvimento da localidade, a geografia, a história, o letramento político, a identificação e difusão das culturalidades, além da necessidade de transpor os conhecimentos produzidos pelos urbanistas e demais cientistas para uma linguagem que perpasse as atividades compreendidas no CCA local, nas creches, na escola estadual, na UBS, no espaço público.
As pessoas da comunidade precisam ter consciência do poder que tem em cada lugar no qual estiverem. Isso advém de um exercício, considerando como pressuposto a alteridade, um olhar sistêmico para o todo, olhar para o espaço público e obrigar o poder público a representar de fato os setores e as aspirações sociais – coletivas, o que requer participação e entendimento das questões urbanísticas e como o poder público lida com elas,  construindo uma sabedoria para fazer valer suas ideias para influenciar nas decisões da cidade voltadas à localidade.
Sim, é um caminho longo, mas se não caminharmos com essas considerações elementares, as quais compõem o que denominamos de dimensão orgânica, nos distanciaremos da construção de uma plataforma que prevê uma educação comunitária para uma nova dinâmica de urbanização dessa localidade, inovação tecnológica, ambiental e social, concomitantemente a produção e garantia de direitos e  das conquistas sociais dos últimos  anos.
Faz - se necessário elaborar uma estratégia político – pedagógica com operações que possam envolver um público intergeracional, desde as intencionalidades arte – educativas ao trabalhar linguagens artísticas e sentidos ecossistêmicos com as crianças, perpassando apropriação de conhecimentos que dialoguem com a melhoria das condições de habitabilidade, estudar com os adolescentes a criação e produção de suas subjetividades nessa contemporaneidade e provocar um pensamento complexo político e participativo, passando pela educação política da comunidade, são alguns componentes para elaboração de estratégias educadoras de cunho político – pedagógico – territorial.
Ainda, nessa dimensão orgânica, estimular a prática de métodos de investigação sobre as representações de cidade protagonizadas por jovens da escola da rede pública em parceria com os da universidade, incentivar os estudantes que habitam o bairro para construírem e viverem situações de conhecimento e territorialização na sua comunidade e na cidade compõe um alinhamento entre forças educativas e culturais para melhorar as condições de vida das pessoas que habitam essa área crítica da cidade, considerando que a esfera pública “não é necessariamente um campo se expressa em termos de movimentos sociais, ela se expressa em outras formas de comportamento coletivo: econômico ou puramente social”.  
Estar a caminho de um território educador é aproximar atores que possam colaborar na organização de um espaço – Fórum para o diálogo sobre as adversidades e busca de solução às questões urbanísticas, é também agenciar atores da Gestão Pública e da Sociedade Civil para agirem no espectro da educação, saúde e desenvolvimento social, são algumas das operações que devem estar contempladas num caminho, a partir de referências e exemplaridades, mas que tenha caráter inovador, porém sempre com um posicionamento político claro do que realmente se pretende ao estar, pensar e agir para o desenvolvimento desse território. .  

Educação como prática efetivamente cultural e urbana
                                                                                     
Trabalhar essa dimensão orgânica pelo viés da educação configurada como prática  efetivamente cultural e urbana, estudar o lugar para entender o território e como se territorializam os habitantes do Jardim Lapenna, desenvolver um processo colaborativo de trocas de experiências, tanto na comunidade, no chão – terra - rio como no meio acadêmico, oferecer instrumental para a comunidade, para que incida conscientemente sobre o próprio território em questões até hoje consideradas complexas, considerando necessário debater e desenvolver práticas de territorialização em suas diversas escalas, da habitação à relação físico - funcional e cultural com a cidade e com quem vive as subcondições, como com quem estuda e desenvolve tecnologias e metodologias para a superação das adversidades, é um trabalho de agenciamento de forças para que se possa superar as dificuldades desse território.   
Estamos num ponto da Várzea do Tietê.  Um jovem de 19 anos com o qual tivemos a felicidade de conviver e produzir conhecimento, numa série de atividades,  num coletivo, durante três anos, num projeto de Letramento Político no Galpão de Cultura e Cidadania, nos faz uma visita, nesse dia de chuva em que uma criança, nesse momento em que escrevo esse texto,  adentra o espaço. Criança molhada da chuva traz notícias sobre os alagamentos e me pede o celular para registrar a acomodação das águas do Tietê em seu arcano espaço.
  Mas para o jovem de dezenove anos as pessoas precisam saber que a várzea do Tietê na qual o Lapenna está inserido, apresenta uma extensa área plana com declividades e larguras variando entre 200 e 600 metros, podendo atingir até mil metros em alguns pontos, correspondem aos terrenos sujeitos às inundações anuais do rio, na época das chuvas. Esse jovem sugere que isso seja integrado no currículo da escola estadual, pois, segundo ele, “querendo ou não querendo, ele conversa diretamente com o currículo vivido”.
Esse jovem prossegue e fala considerando como preponderante que a comunidade também saiba que a várzea a as planícies aluvionares tem que ser protegidas, e que conheçam também a bacia do Alto Tietê. “Que a montante da Barragem da Penha tem grande influência no controle de inundações da metrópole por dois fatores: primeiro porque o trecho a jusante do Rio Tietê atravessa os centros urbanos expandidos, está bastante urbanizado, tendo suas várzeas ocupadas por edificações e pelo sistema viário  – acrescenta o jovem.
O jovem que nos visita conhecedor da nossa intenção de Território Educador, com três anos dedicados a um projeto de educação política com crianças - “Ambiente” Acolhedores” - e que se engajou no Fórum dos Moradores, observa que as pessoas precisam também conhecer a história social da várzea, as desigualdades alimentadas pela aplicação arbitrária das leis e ausência de políticas públicas. Ele diz: estudar tudo isso é preciso. Inclusive saber que existem duas cidades dentro de uma: a construída pelos pobres e a construída pela especulação imobiliária.
Nós, colaboradores da Sociedade Civil, nos entreolhamos e refletimos, numa segunda – feira chuvosa com jeito de provocar inundações, de que reunir atores que estudam a várzea que tenham propostas para que a transformação desses cenários seja uma responsabilidade social, política e cultural, faz – se necessário e premente.

Território Educador entre o real e o possível
Seguir um caminho, uma “percorrida” que além de constatar e intervir no território, nos remete a todos com os quais aprendemos e nos relacionamos, conhecer com profundidade o real e o possível somado à necessidade da existência de lampejos utópicos numa dimensão política, entre os sonhos e o necessário diante das iniquidades, requer trabalhar com o altruísmo da reciprocidade, com o compartilhamento e o engajamento em rede, considerando o presencial e a ocupação cultural e pedagógica do espaço público, importantes instrumentos para a revelação dos conhecimentos de quem convive com a escassez, seus sentidos, significados e ideias.    
            Quando falamos em dimensão orgânica apontamos a necessidade de desenvolver estratégias que vão de produzir conhecimento com a comunidade, como também articular atores do campo da ciência para desenvolver ações que possam colaborar com os desafios da urbanização necessária nesse espaço e, no que identificamos como contribuir para a concretização de um Território Educador, visto como um meio e um fim em si mesmo e na localidade onde atuamos.
 “O direito à cidade vai além de um direito ao acesso àquilo que já existe: é um direito de mudar a cidade mais de acordo com o nosso desejo íntimo. Ou seja, a liberdade para nos fazermos e nos refazermos, assim como nossas cidades, é um dos mais preciosos, ainda que dos mais negligenciados, dos nossos direitos humanos”. (David Harvey)

Bibliografia e Percepções
. Mapografias de São Paulo – Zona Leste – Projeto Cultura e Exensão – FAU USP – Professores Jorge Bassani e Camila D’Ottaviano
. Jovens Rodrigo Hermógenes e Felipe Silva – ex integrantes do Projeto Intermídia Cidadã
. Territorialização da Metrópole Paulista: Ocupação das Várzeas do Tio Tietê ... (Diamantino Pereira – EACH USP para XII Colóquio Internacional de Geocrítica)
. Richard Sennet – “A esfera pública”

domingo, 14 de fevereiro de 2016



 A Caminho de um Território Educador
Capítulo 1: A Dimensão Simbólica
“Caminhada, sou boa das pernas,
como é boa verdura de lá,
da Horta da Mãe Preta, lá do Curuçá,
Muita gente, por estar do outro lado,
tem preconceito dessas verduras,
mais isso é assim mesmo,
já tamo acostumado com essa conversa
de que até o chão daqui é ilegal,
e a outra parte do chão da cidade
é legal, bem vestida, verdura lavada,
assim, o mais o mais difícil é convencer
as pessoas de lá e as vezes os de cá
 que o produto é de primeira, bem plantado,
bem cuidado, tem inté os documentos
da vigilância e coisa e tal,
as pessoas preferem comprar
nesses supermercados
e ficam sem conhecer direito
nossa história de também
bem alimentar”
(Dona Ana da Quitanda do Mutirão – Jd Lapenna)

http://nccsaomiguelnoar.blogspot.com.br/2012/04/dona-ana-maria-lembra-de-seus-momentos.html

A prosa de autoria de Dona Ana da Quitanda, ouvida em dezembro de 2012, lá mesmo, no território em que sonhamos um dia ser educador, com tanto para compartilhar e ensinar à cidade o conhecimento nascido na criatividade de quem convive com a escassez, revela a necessidade de atuar multidimensionalmente num lugar em que, há quase 10 anos, empregamos nossa energia para a vida coletiva melhorar.
Chama atenção no apontamento poético de Dona Ana da Quitanda do Mutirão a revelação de que a cidade é composta de territórios legais e territórios ilegais (1). Algo que mesmo com o processo constante de regulação urbanística no Brasil, persiste desde a origem da imensa e rápida urbanização pela qual passou a sociedade brasileira a partir de 1960, parafraseando Raquel Rolnik, a própria expressão territorial da desigualdade, a gerar também subjetividades, advindas da invasão de um pensamento institucionalizado a provocar a sedimentação e a perpetuação da subcidadania e da condição social, nasce pobre, morre pobre, uma violência simbólica sem precedentes.
            Quando falo de atuação multidimensional para desenvolver estratégias, motivações e mobilização, para a transformação de um território como o do Jardim Lapenna em território educador aponto para as dimensões simbólica, orgânica, geográfica, política e histórica preponderantes, além dos indicadores sociais e características singulares dessa localidade, sendo que nesse tempo de permanência ativamente educativa e cultural nesse território, perpassamos com nossas ações essas dimensões, mesmo que de uma forma empírica, porém aprendemos muito e nossa acuidade está ampliada. 

A dimensão simbólica

A primeira dimensão é a simbólica, ou seja, revelar os sinais e símbolos desse território, a experiência subjetiva, imaterial, o modo da expressão, comunicação e cultura desses habitantes – citadinos, além, é claro, até mesmo a forma, a estética de suas casas, os aspectos antropológicos fundamentais, considerando a educação e a cultura como pilares do desenvolvimento social, o que para tanto exige olhar para o que fizemos, estudar e, ao mesmo tempo, pensar e agir com mais profundidade, num processo que tenha também como delta, uma conceitualização que não perca o vínculo com qualquer realidade, sem seguir necessariamente concepções teóricas personalistas, patrimonialistas, ou pragmáticas, conjunturais as quais sempre se desvinculam de qualquer realidade mais ampla e totalizadora.
Da totalidade dos seres ao lugar e a totalidade do espaço geográfico, a educação se arterializa e, as tais redes formam redes inteligentes. A dimensão simbólica também se faz lugar, espaço que faz sentido quando ocupado, vivido com os ritos, narrativas, encontros, cantos, cordas. Intenções de ensinar e aprender, de ouvir, ocupar, “ocupaz”, como disse um jovem, num desses dias, em seus momentos de expressividade e descoberta.
A dimensão simbólica requer trocas para perceber o sentido que esse lugar faz na vida de quem vive nele e, quando falamos em educação, em território educador, além das conexões institucionais e pessoais, configurados numa mandala, precisamos trabalhar numa perspectiva de cenários transformadores, o que requer atores de diferentes conhecimentos e áreas do saber, superando a complexidade, não “meritocratizando” o processo, o que implica pensar uma educação que contribua para a assimilação dos insumos culturais da comunidade, como por exemplo, as narrativas comunitárias compostas de espírito humano, algumas reveladas pela nossa escuta em nosso Ponto de Histórias e de Leitura do mundo dos moradores do Jad Lapenna:  “desde o riscar na areia da matemática de Severino, mais a escola “na sombra do pé de Juá” de Dona Ana, a comparação de Dona Antonia por meio da literatura do consumo da cidade grande a Mãe d’água do Rio São Francisco de onde viera,  a mangueira do Piauí que ensinou Claudete a calcular e “ser craque na matemática”, o que lhe permitia cochilar na sala de aula, até as imagens produzidas por crianças e adolescentes, as mulheres, as famílias e as mulheres com receitas de vida diante de uma vida nada fácil...” (2)
A valorização da dimensão simbólica de um lugar é a contraposição à visão tecnocrática urbanística, que trata a cidade pelo viés puramente técnico, tratamento que não reconhece os conflitos e a realidade da desigualdade e o funcionamento dos mercados imobiliários urbanos que contribuem para a valorização das terras, como também pela expulsão dos que vivem em lugares os quais quando chega a infraestrutura, muita gente da base da pirâmide urbana tem que se retirar, naturalizando ainda mais as relações e condições de desigualdade. . 
Dar luz à dimensão simbólica, além de um recado à cidade da potência desse lugar, é colaborar para que a comunidade possa ultrapassar as ilusões de sentido do imediato e do cotidiano e passe a conhecer suas próprias condições de vida, quase sempre desconhecidas Esse desconhecimento produzido pela produção de subjetividades induzida pelo capital e interesses que invadem o espaço público e as casas e barracos, componente da construção social da desigualdade, numa violência subjetiva a afastar as pessoas e as comunidades de si mesmas, de sua riqueza de espírito, de sua geografia, de sua história. (3)
Para seguirmos esse caminho para um Território Educador, necessitamos estudar e refletir a respeito das outras dimensões. Na próxima semana no Blog: nccsaomiguelnoar.blogspot.com discorreremos sobre elas:  
A dimensão orgânica:
A dimensão geográfica
A dimensão política
A dimensão histórica

Até lá
José Luiz Adeve (cometa)


  (1) Artigo “Regulação Urbanística no Brasil – Conquistas e Desafios um Modelo em Construção
(2) Ver texto “Tecelagem Dinâmica da Educação – Habitar é Comunicar – Texto coautoral -  http://nccsaomiguelnoar.blogspot.com.br/2012/12/tecelagem-dinamica-daeducacao-habitar-e.html
(3) “A Construção social da Subcidadania – Para um sociologia Política da Modernidade Periférica” -  Jessé Souza 























sábado, 7 de novembro de 2015



Parresía, politeia, isegoria, dunasteia.  
Análise comportamental e sociosemiótica
da justificativa da Reorganização da Rede Estadual de Educação

Parresía, Parresía
gritava dentro de nós.
Dizer a verdade,
levantávamos na assembleia do não esclarecido
pelo representante executivo de um poder questionado,  
sujeito suscetível e com o tempo contaminado
pelo discurso que o poder procura
quando fala sobre o louco,
sobre o prisioneiro,
sobre o delinquente
e estendendo – se
à apocalíptica explicação,
o sujeito e seu poder
não explica, é suscetível
a somente ser capaz de falar de si.
E nós não estamos na democracia grega. 
E nos dias de hoje o que significa dizer a verdade?,
se nada é verdade, tudo é permitido,  
e como vivem aqueles em que suas vidas,
suas rotas foram alteradas?

Parece que para o sujeito e seu poder
a única explicação e a verdade é a problematização,
sendo que a resposta de quem tem o poder de deliberar
sobre a educação é alimentar a constituição do mercado da vida,
mercado em que cada um adquire o que lhe convém. 
Desconfiamos que convém formar mão de obra barata juvenil
para atender as empresas em suas atividades com suas tecnologias?,
Será que há um movimento invisível, capital, novamente na América AfroLatina?
Politeia, a constituição garantindo igualdade
e a isegoria que é poder de falar publicamente
sobre os assuntos de viver no estado,
esse estado de coisas em que a dunasteia
nos  impulsiona a querer saber qual a razão
dessa intromissão, ou até mesmo formulação,
sem discutirmos nas ágoras de nossas comunidades,
com nossos jovens, educadores, cidadãos essa intenção invasiva.
Falamos de vidas, caminhos, trajetórias, sentidos, sentimentos...

E um movimento dissimulado da morte do discurso verdadeiro
e a reprodução de estratagemas a redefinir o campo da ação possível,
num desrespeito a desconsiderar sentimentos de pertença,
interrompendo construção de mobilizações para pensar
e agir para um outra forma de viver coletivamente,
o que implica reconsiderar, por um consenso democrático,
as forças que neutralizam o dizer - a – verdade
e jogam aos leões da desigualdade jovens, famílias
em enunciados pouco questionados por quem detém
a edição da semiose contemporânea na condução das almas
facilmente levadas para a irrupção de deixar tudo como está
e nivelar quaisquer tipos de ação, num risco de deixar de participar,
antes mesmo de questionar o que é deliberado,
nesse caso sobre a rede pública estadual.

Parresía, Parresía, Parresía,
em grego significa dizer - a - verdade,
nos diz Maurizio Lazzarato,
sociólogo e filósofo italiano,   
“está ligada muito mais que a um estatuto,
a urna dinâmica  e a um combate, a um conflito.
A estrutura dinâmica e agonística do dizer - a – verdade (parresia)
é todo um campo de problemas políticos distintos
dos problemas da constituição e da lei.
Sendo assim responder por meio de problematizações
tornou-se uma constante nos  discursos dos personagens políticos
para explicar as inconveniências,
Injustiças e o que é injustificável.

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